Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

FLORES ONLINE



Quinta-feira, 21.02.13

Inauguração do polidesportivo de Ponta Delgada

O polidesportivo da freguesia de Ponta Delgada foi inaugurado pela Câmara Municipal de Santa Cruz no passado dia 15 de fevereiro. O objetivo da sua construção é melhorar as condições desportivas da população.

A obra, adjudicada em 462.828,42€, envolveu a cobertura e piso sintético, bem como a reabilitação de balneários e instalações sanitárias do edifício.

A autarquia de Santa Cruz já deu início à construção do parque de merendas e campismo na freguesia, orçado em cerca de 150.000€, que deverá estar concluído em Julho deste ano. Outra das apostas para Ponta Delgada é a instalação de um Multibanco, prevista para Abril, resultado de um acordo estabelecido entre a Câmara Municipal e a Caixa Geral de Depósitos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Susana Soares às 11:53

Quinta-feira, 21.02.13

O Chico Moleiro

Autor: João Maria Barcelos

No tempo em que tudo andava devagar, em que a mó andadeira das azenhas parecia endiabrada de rapidez; no tempo em que os pássaros despreocupados não enrouqueciam de tanto protestar, havia na Freguesia um moleiro chamado Francisco, por alcunha Chico Moleiro — outras, e mais refinadas, lhe chamariam, sem que ele sequer suspeitasse. Diligente, mourejava do nascer ao pôr-do-sol na sua distante azenha da Ribeira do Pulo. Mal os primeiros raios de sol inauguravam o dia, arreava a mula e, correndo as casas, carregava as moendas que lhe dariam para um longo trabalho.

Durante todo o dia, era vê-lo sentado na banca de um só pé atento ao andar da mó, afinando a espessura da farinha, depois ensacando-a, voltando a encher a tremonha, numa dobadoira contínua. A cada volta da pedra, uma nuvem de farinha se abatia com a leveza de uma pena na apanhadeira, enchendo-a tão devagar que parecia não ter fim. Na toada contínua das mós, Chico Moleiro sonhava terras distantes, ele e a sua Maria passeando à tardinha de um fim-de-semana numa longa avenida cheia de gente colorida, como aquela dos postais que vinham da América: ambos bem vestidos e calçados, que lá não há gente descalça — até dizem ser proibido andar sem sapatos. O contrário da natureza viva da sua terra — aqui cresce-se descalço, as solas dos pés tornam-se tão rijas que nem se sente a aridez dos caminhos.

Mas tudo aquilo era um sonho tão distante. Para angariar o dinheiro para as passagens, embora só para o casal sem filhos, eram necessários anos de trabalho. Por isso, mourejava dia-a-dia para arrecadar algumas economias que ia amealhando tostão a tostão...

Não tinha a sorte do Urbano do Cabeço, não: esse, por ter um compadre rico que lhe emprestara o dinheiro, já lá estava na Terra da Fartura, ganhando por dia mais do que ele ganhava num mês. Mais! Muito mais. Terra desgraçada esta onde nascera. Mas não desistia — cada dia começava mais cedo e a casa regressava mais tarde. Mal chegava, comia umas couves espernegadas e o cansaço era tanto que caía na cama como uma pedra. Maria já se habituara e no vazio da casa nem um lamento se ouvia.

A vida corria na mansidão do tempo e nada acontecia de novo. Certo dia — ele há dias em que um homem não deveria botar os pés fora da cama! —, ao distribuir as moendas pelas portas, enganou-se no peso da farinha para o Manuel do Outeiro, e levou-lhe o dobro da maquia. Este, que não tinha trava na língua — apelidavam-no de Respingado —, ao ver-se iludido, começou logo a disparatar:

— Grandessíssimo ladrão, que só pensas em dinheiro e vives roubando o pobre! Não nos basta a vida miserável que levamos, para ainda sermos enganados por um pelintra qualquer; nunca mais me apareças em casa, que o nosso grão passará a ser moído no moinho de Ti João Travassos; esse, sim, é homem sério; põe-te a mil léguas desta casa, seu grande cornudo, que tens a testa mais alta do que a cornadura do boi da Junta; vai-te, testinha de osso, e nunca mais aqui voltes, desgraçado!

Com tais palavras, o Chico Moleiro ficou atordoado. Sentindo a cabeça mais pesada do que o rodado da carroça da mula, baixou os olhos ao chão e continuou caminho, com tais frases fazendo eco no salão do cérebro, agora sentindo-o completamente vazio. Poderia algum dia imaginar a sua Maria nos braços de outro, se calhar mais do que um, pela conversa aumentada do outro!

Não merecia tal sorte. Ele, um escravo do trabalho, que nunca se aventurara a pensar noutra mulher, que só conhecera uma na vida. O dia inteiro para ali fechado, moendo o grão, remoendo ideias e sonhos perdidos no caudal da ribeira. Sorte macaca. O caminho agora parecia-lhe alheio, nem notava as topadas nas pedras salientes. Com pouca gente encarava, mas sentia-se como que na mais movimentada avenida da América, com mil olhos a escarnecê-lo: “... a testa mais alta do que a do boi da Junta!”... Não, aquilo nunca poderia ficar assim: cornudo qualquer um pode ser, manso não. Um homem tem de ter brio... Pensou no machado, na foice roçadoira, que guardava atrás da porta da cozinha, na faca de matar o porco... Uma nuvem densa encobria-lhe o cérebro, impedindo-o de um raciocínio lógico.

Chegou a casa e ela esperava-o como habitualmente, a malga da sopa aferventada e o olhar distante... Vida miserável a troco de fome e injustiça.

A mulher, de repente, sentiu-lhe no olhar algo muito estranho, mas não chegou a emitir qualquer palavra. Nem um gesto de defesa conseguiu inventar — do alto viu cair-lhe pesadamente o olho pesado da enxada, atingindo-lhe a testa, depois a nuca e, por fim, num flácido desacordar, abateu-se no chão térreo da cozinha...

O súbito alvoroço naquele casebre sombrio atraiu a vizinhança. Levaram-na, mais morta do que viva, para o Hospital, duas léguas e meia por atalhos íngremes, numa rede improvisada. Apesar do esforço do médico, com agulhas e linhas, pensos e remédios, a pobre nunca mais disse coisa com coisa: parecia um vegetal, alheia a tudo.

Dois dias depois, Chico Moleiro mirava vagamente a nuvem repetida de farinha ao som da música já conhecida. Sentiu abrir-se a porta da azenha e ouviu voz de prisão. Não se mexeu da banca, continuando a olhar fixamente a andadeira que agora, apesar de endiabrada, parecia emudecida. Ainda recordou vagamente as avenidas dos postais do sonho perdido. Mas aquela fantasia havia-se esmorecido no cataclismo da tragédia que lhe estaria reservada no destino da vida, agora mais desgraçada do que nunca.

 

apanhadeira — caixa onde vai caindo a farinha nas azenhas

couves espernegadas — couves cozidas com um pouco de banha

desacordar — desmaiar

moenda — saca de cereal ou de farinha

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Susana Soares às 11:22

Quinta-feira, 21.02.13

Agitação marítima, chuva e vento forte nas próximas horas

Fajã Grande - Ilha das Flores  (21/02/2013)


O Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores informa que, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, e na sequência do aviso anterior se preveem as seguintes condições:

PARA O GRUPO OCIDENTAL
AGITAÇÃO MARÍTIMA com ondas oeste entre 8 a 9 m
No período entre as 07UTC de 2013-02-21 e as 23UTC de 21-02-2013
Ondas de oeste de 6 a 8 metros.
PRECIPITAÇÃO com chuva entre 10 a 20 mm/h
No período entre as 07UTC de 2013-02-21 e as 23UTC de 21-02-2013
Aguaceiros pontualmente Fortes.
VENTO oeste entre 65 a 74 km/h e rajada máxima entre 85 a 100 km/h
No período entre as 07UTC de 2013-02-21 e as 21UTC de 21-02-2013


PARA O GRUPO ORIENTAL
PRECIPITAÇÃO com chuva entre 10 a 20 mm/h
No período entre as 07UTC de 2013-02-21 e as 23UTC de 21-02-2013
Aguaceiros pontualmente Fortes.
VENTO oeste entre 65 a 74 km/h e rajada máxima entre 85 a 100 km/h
No período entre as 07UTC de 2013-02-21 e as 23UTC de 21-02-2013
AGITAÇÃO MARÍTIMA com ondas oeste entre 6 a 7 m
No período entre as 07UTC de 2013-02-21 e as 23UTC de 21-02-2013


PARA O GRUPO CENTRAL
AGITAÇÃO MARÍTIMA com ondas oeste entre 8 a 9 m
No período entre as 07UTC de 2013-02-21 e as 23UTC de 21-02-2013
Ondas de oeste de 6 a 8 metros.
PRECIPITAÇÃO com chuva entre 10 a 20 mm/h
No período entre as 07UTC de 2013-02-21 e as 23UTC de 21-02-2013
Aguaceiros pontualmente Fortes.
VENTO oeste entre 65 a 74 km/h e rajada máxima entre 85 a 100 km/h
No período entre as 07UTC de 2013-02-21 e as 21UTC de 21-02-2013

Nestas circunstâncias, o SRPCBA recomenda que sejam tomadas as precauções habituais em situações desta natureza.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

por Susana Soares às 11:07


FLORES ONLINE

foto do autor




Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Fevereiro 2013

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
2425262728